quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Um mito chamado John Lennon


John Lennon, o beatle que virou um símbolo, completaria 69 anos, no último 9 de outubro. Letrista e músico de primeira qualidade, poeta e - para quem não sabe - também escritor e desenhista, Lennon era um incansável defensor da paz e desenvolveu vários libelos anti-guerra atraindo até mesmo a antipatia de Richard Nixon, que queria deportá-lo dos Estados Unidos de volta à Inglaterra, conforme visto no documentário The U.S. versus John Lennon de 2006.

Lennon sempre esteve em extrema sintonia com o seu tempo, e muitas vezes à sua frente. Ele se achava um gênio; provavelmente era. É muito para se dizer de um artista pop, mas a poucas pessoas no mundo do showbiz esse epíteto se aplica tão bem. Lennon foi parte do que se pode chamar de o primeiro grande fenômeno de massas produzido pelo marketing moderno, e o único que, ainda em termos de mídia, sobrepujou o rótulo que veio daí.

Mais do que produto de marketing ou gênio, entretanto, ele foi um produto de sua época. Uma época conturbada, rica em mudanças e em estremecimentos sociais, da qual o beatle foi, ao mesmo tempo, causa e efeito.

Para Lennon, tudo ocorreu no momento exato. Foi ingênuo quando a juventude, que surgiu como mercado consumidor e como grupo social com características próprias durante os anos 50, se consolidava como segmento social e como mercado consumidor; psicodélico quando essa mesma juventude começava a acreditar no que diziam que ela era e tentava moldar o mundo à sua imagem e semelhança; iconoclasta quando esse psicodelismo dava os sinais mais prementes de exaustão e o mesmo mundo que tomou um porre de juventude entrava em ressaca — e descobria que ressaca não mata; radical de esquerda quando os reflexos de 68 tomavam corpo e preparavam Watergate.

Finalmente, saiu de cena para cuidar do seu filho, quando a geração à qual fornecera a trilha sonora crescia e começava a perceber que o mundo, afinal de contas, não havia mudado tanto assim, e que, ora bolas, ninguém era muito diferente dos seus pais — o que significava encarar o mundo e ter que ganhar a vida. Ou seja: entrar no establishment, daquele mesmo jeitinho tão criticado. Grand finale: morreu tragicamente antes de entrar em decadência e ser ultrapassado pelos mais novos rebentos da juventude.

Para conseguir acompanhar o ritmo de sua geração, Lennon tomou LSD e heroína, fez terapia, tentou de tudo. No fundo, a única coisa que ele sabia fazer era expressar o que havia de melhor e de pior em si através da música. Além disso, como beatle ele havia provado o gosto do sangue.

Não adiantava querer negar: John Lennon era um pop star, talvez o mais anatemático deles. E o seu maior trunfo, uma marca absolutamente pessoal que o distinguiu do resto do cenário pop de todos os tempos, era a extrema capacidade de se mostrar ao seu público e de se tornar o modelo máximo de identificação de sua geração.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O Real Madrid pode recuperar o alto investimento?


O Real Madrid gastou a maior fortuna da história para contratar Cristiano Ronaldo e Kaká. E a formação do time galáctico ainda continua, o clube deve gastar mais alguns milhões para contratar outros grandes jogadores.

A grande questão é: o Real Madrid conseguirá recuperar esses investimentos com o marketing dos novos galácticos?

Na primeira era galáctica, no início da década, quando o time contava com Zidane, Ronaldo, Beckham e Figo, o faturamento anual subiu de 100 milhões de euros para 300 milhões de euros.
Dessa vez, a projeção é elevar o faturamento anual à marca de 500 milhões de euros até 2011.

E para isso o clube já projeta linhas exclusivas de produtos com as marcas de Kaká e Cristiano Ronaldo. A exploração da imagem desses e dos outros jogadores que virão é a chave para o crescimento do clube.

Com a repercussão dessas contratações o clube espera ampliar o mercado internacional, algo semelhante ao que aconteceu na época da contratação de David Beckham, que era muito conhecido nos EUA e na Ásia. A junção de tantas imagens fortes também deve ajudar o clube na negociação de novos contratos de patrocínio.

Enquanto muitos pensam que o Real Madrid está jogando dinheiro pela janela, o presidente Florentino Pérez acredita estar investindo no crescimento do clube. O tempo dirá se ele acertou, mas não duvido que essas transferências, no aspecto econômico, superem as expectativas e gerem um grande lucro ao clube, mesmo nesses tempos de crise.

Só que um pequeno detalhe será determinante para esse crescimento, o sucesso do time dentro de campo. Um detalhe não tão pequeno assim.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Globo ataca IURD; Record se defende e polemiza briga pela audiência nas TVs

Nem, Gugu, nem Sivio Santos. Os personagens que roubaram a cena essa semana na TV aberta foram os telejornais da Rede Globo e da Record.Com as denúncias contra o bispo Edir Macedo, mostradas em raros 10 minutos no Jornal Nacional, a Globo colocou lenha na fogueira. Briga pela audiência? Também.

Mas não se pode esquecer do fundamental: a notícia. O bispo está encrencado e ponto final. Ninguém comenta quando a Globo mostra os escândalos de Sarney. E olha, que no Maranhão, ele é dono de várias afiliadas da Globo. Claro que bater na principal concorrente tem um gostinho melhor. Nos telejornais da Globo, a pancada na Record veio acompanhada de alguns detalhes. Após a matéria do Jornal Nacional, noticiário policial. Ou seja, a emissora da Universal é caso de polícia.

No Jornal Hoje, após a execração dos bispos da IURD, o que a parece? Criança Esperança. Só faltou dizer: aqui seu dinheiro é usado para o bem. No Jornal da Record, a resposta foi vaga. Ao lado de Celso Freitas, uma Ana Paula Padrão constrangida chamou a matéria que apelou para a participação de Roberto Marinho no regime militar, evocou os números da audiência e tentou colocar a Globo como “desesperada”. Mal editada e sem conteúdo, a matéria usou uma estratégia errada.

Comparar o tempo que a Globo e as outras emissoras deram para a cobertura do escândalo foi de fazer rir. Ora, quem decide o tempo de uma matéria é a linha editorial da emissora.O caso Edir Macedo não poderia chegar em pior hora para a Record e pode ser uma pedra, ainda que pequena, no rumo à liderança.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Conquistas fazem de Cielo candidato a mito nacional

César Cielo é o mais novo candidato a mito no esporte brasileiro. Com conquistas mundiais e olímpicas, o nadador de Santa Bárbara d'Oeste aos 22 anos se aproxima de atingir o status de referência nacional, que poucos alcançaram com suas proezas em piscinas, quadras, pistas e campos pelo mundo

No futebol, Pelé é inquestionavelmente o maior nome de todos. Garrincha, com seu enorme talento e carisma, também ocupa lugar de destaque. Centenas de nomes poderiam ser lembrados pelos torcedores de cada clube, mas teriam valor sentimental. Ambos, porém, são gênios inquestionáveis.

Ayrton Senna tem lugar reservado no coração dos brasileiros pelos três títulos mundiais na Fórmula 1, mas também pelo fato de ter morrido jovem e no auge da carreira. Nelson Piquet, outro tricampeão, e Emerson Fittipaldi, com seu pioneirismo e competência, também são mitos nacionais.

No atletismo, Adhemar Ferreira da Silva, bicampeão olímpico do salto triplo, é uma lenda. Em Roma/1960, os italianos o aplaudiram tanto que deu a volta por todo estádio, dando origem ao termo ? Volta olímpica?. João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, foi o sucessor de Adhemar, com recorde mundial (no México) e medalhas olímpicas em Montreal e Moscou. Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten levaram os torcedores ingleses de Wimbledon e os franceses de Roland Garros, respectivamente, ao êxtase, o que os coloca como os maiores ídolos do tênis brasileiro.

A mira infalível de Amaury, Wlamir, Oscar, Hortência e Paula garantiu o basquete nos pódios das maiores competições. Eder Jofre parou de lutar há 33 anos, mas não perdeu o título de "Galo de Ouro" pelas vitórias de 1960 a 1965. Ainda foi campeão dos leves, em 1973.No judô, esporte com berço no Japão, Aurélio Miguel, campeão olímpico em Seul/1988, foi o primeiro ocidental a estar na lista dos 50 melhores de todos os tempos.

O xadrez brasileiro ainda não viu um jogador melhor que Henrique Mecking, o Mequinho. Teve seu auge em 1977, quando foi o terceiro do mundo, superado por Anatoly Karpov e Viktor Korchnoi.Robert Scheidt e Torben Grael são garantia de conquistas em Mundiais e Olimpíadas para o iatismo.

Na natação, Maria Lenk e Ricardo Prado brilharam antes de Cielo. O jovem paulista está no caminho da fama. Talento e carisma tem. Talvez dependa apenas do tempo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Memorial do Corinthians

Contar uma história, é um modo de vivenciá-la novamente, mas escrever uma história, é a melhor forma de imortalizá-la. Aproveitei minhas férias do trabalho e fui ao Parque São Jorge, no Memorial do Corinthians, ver de perto conquistas e vitórias do meu time do coração.

A chegada ao Parque já brilha o olhar de qualquer corintiano, porque é muito bom estar num templo onde tudo é alvinegro, onde se respira Corinthians 24 horas por dia. Meu objetivo era visitar o Memorial para ver de perto taças, troféus, camisas, bolas e tudo mais que faz parte da história do Timão, mas no fim a visita foi muito além, pois acabei conhecendo toda a sede social do clube, inclusive pisando no gramado da Fazendinha.

Comprado o ingresso, a primeira parada do Memorial é o Vestiário, sala onde você tem a sensação que entrará em campo nos próximos minutos. Uma imagem de São Jorge e uma de Nossa Senhora Aparecida ajudam a decorar o ambiente, que tem armários, TVs, bolas, chuteiras, luvas e diversos materiais esportivos.

A porta abaixo da Santa te leva ao Estádio, sala que simula que você está em campo e a torcida vibrando, gritando, cantando e fazendo aquela festa que só os corintianos sabem fazer.

Na sala dos Vídeos momentos históricos passam nas telas, além de fotos que homenageiam jogadores como Tevez, Sócrates, Ronaldo e Tupãzinho, autor do gol que deu o 1º título brasileiro ao Timão, em 1990, em cima do São Paulo.

A próxima sala, Equipes, guarda um acervo incrível de fotos de todos os times do Corinthians, desde 1910, com destaque para o elenco de 2005 num telão ao fundo. Ao lado, na sala Jogadores, imagens em tamanho natural de 40 craques de todos os tempos, como Marcelinho Carioca, Neto, Vampeta, Sócrates, Casagrande, Basílio, Viola e os goleiros Ronaldo, Cabeção e Gilmar, além de muitos outros que marcaram época no Timão com seu futebol arte.

Nesta sala, existem quatro máquinas que contam detalhadamente a história de cada um dos 40 jogadores homenageados. Ao fundo, um painel lista todos os jogadores que atuaram pelo clube, divididos por décadas.

Para quem curte jogos, na sala Games, dá pra se divertir disputando partidas entre times históricos do Corinthians. Um detalhe legal é que essa sala é toda decorada com caricaturas de jogadores. O destaque vai para a Caricatura do Casão na sala dos Games

Na sala do Acervo, peças raras e históricas estão expostas, como a bola do jogo Corinthians 1 X 0 Ponte em 1977, as últimas luvas utilizadas pelo goleiro Ronaldo além de peças inusitadas como as penas de um pobre galo pintado de verde que foi solto por um palmeirense num clássico entre os rivais, além de um osso que foi jogado também por um palmeirense, durante almoço da delegação corinthiana em 1918, com os dizeres “O Corinthians é canja para o Palestra.” A resposta foi escrita no próprio osso, pelos corinthianos; “Este osso era para a canja, mas, não cozinhou, por ser duro demais.”

O próximo passo é o Mundo Corinthians, exposição que conta com mais de 600 fotos ligadas ao clube em diversas situações, como o show de Rita Lee, Ayrton Senna com a camisa do Corinthians por baixo do macacão da Fórmula 1, Washington Olivetto com o manto sagrado e quadros com imagens de todos os presidentes, além de uma linha do tempo, que detalha os momentos mais importantes do Timão, ano-a-ano.

A sala Vitórias guarda o maior tesouro do Clube. Troféus e taças de todas modalidades, mas o destaque fica com as conquistas do futebol, dentre elas, a Taça do Paulista de 1977, do Mundial de Clubes da FIFA de 2000 e a Taça do Brasileiro de 1990. O Memorial encerra em um pequeno auditório onde um vídeo de aproximadamente 20 minutos exibe as principais conquistas do futebol alvinegro.

Vejam as fotos do Memorial, acessando a minha página no Flickr. Link http://www.flickr.com/photos/dumicheletto/

Memorial do Corinthians
Endereço: Rua São Jorge, 777 – Tatuapé – São Paulo
Telefone: (11) 2095-3000
Preço: R$ 10,00 a R$ 15,00 (estudantes pagam meia)
Horários: De terça a sexta-feira, das 10h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

“Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores”

Neste último fim de semana, fui até o Teatro Coletivo Fábrica assistir o monólogo “Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores” com o ator Antônio Petrin, que comemora 40 anos de carreira, acompanhado da pianista Elaine Giacomelli.

A peça retrata o dilema de Jacek, um ator polonês de 60 anos que, às vésperas de reestrear Ricardo III, de Shakespeare, sofre do coração e é proibido pelos médicos de continuar sua carreira. Para Jacek, parar de atuar significa sua própria morte. Durante o espetáculo, o personagem faz uma retrospectiva e recorda momentos de sua vida: infância, juventude, família e amores. Vale a pena conferir.

Só os Doentes do Coração Deveriam Ser Atores
Local: Teatro Coletivo Fábrica São Paulo - Sala 1
Preço(s): R$ 30,00.
Data(s): 05 de junho a 26 de julho de 2009.
Horário(s): Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 20h.